O Brasil na contramão da desaceleração global

Enquanto o mercado global enfrenta desafios, o Brasil se destaca como um dos principais polos de crescimento. Segundo a MCF Consultoria e a Associação Brasileira das Marcas e Empresas de Luxo (Abrael), o segmento registrou um crescimento de 11,7% em 2024, com expectativa de expansão para 15% em 2025. Entre os setores mais aquecidos, joias e relógios tiveram desempenho positivo, enquanto o mercado imobiliário de alto padrão cresceu 40%, sendo 13% provenientes de novos lançamentos.

Economia, tecnologia e novos padrões de consumo

No cenário internacional, os Estados Unidos demonstraram recuperação gradual, enquanto o Japão liderou as vendas de luxo, impulsionado pelo turismo e uma moeda favorável. Já a China enfrentou uma desaceleração devido à baixa confiança do consumidor. Na Europa, o mercado permaneceu estável, mas a atenção do setor está voltada para regiões emergentes como América Latina, Índia, Sudeste Asiático e África, que devem adicionar 50 milhões de novos consumidores de luxo até 2030.

Além dos desafios econômicos, a tecnologia vem se tornando um diferencial competitivo essencial. A inteligência artificial (IA) e a realidade aumentada (RA) já são parte integrante do mercado de luxo, redefinindo a forma como marcas interagem com seus clientes. Provas virtuais de produtos, personalização baseada em análise de dados e experiências imersivas em ambientes digitais criam novas oportunidades para engajamento e fidelização. Essas inovações ajudam a atrair consumidores exigentes e a compensar as oscilações do mercado global.

A valorização do câmbio impactou os preços, tornando os produtos de luxo 20% mais caros no Brasil em relação aos EUA e 25% acima dos preços europeus. Além disso, incertezas econômicas e políticas levaram consumidores a adiar compras de alto valor. Mesmo assim, o turismo continua sendo um fator crucial, com gastos de viajantes crescendo entre 7% e 9% em 2024, ainda que as compras locais tenham registrado uma queda entre 6% e 8%.

Moda e beleza: inovação como diferencial

O setor de beleza atingiu €79 bilhões em 2024, crescendo entre 3% e 5%. A demanda por pequenos luxos impulsionou o mercado de maquiagem no Ocidente, enquanto a Ásia-Pacífico enfrentou desafios devido à redução do turismo. Fragrâncias de nicho e marcas locais acessíveis ganharam força, especialmente entre os jovens, refletindo um movimento de consumo mais segmentado.

A joalheria foi o segmento mais estável, avançando entre 0% e 2%, chegando a €31 bilhões. A combinação de diferentes faixas de preço e o foco no cliente ajudaram a sustentar o crescimento. As joias de alta-costura cresceram acima da média do mercado, enquanto grifes de moda investiram no setor e marcas locais expandiram globalmente.

Por outro lado, os calçados foram o segmento mais impactado, com queda de 5% a 7% e faturamento estimado em €25 bilhões. O aumento de preços e a migração de consumidores para marcas não luxuosas afetaram as vendas. O crescimento dos calçados esportivos e de alto desempenho também representou um desafio para as marcas tradicionais de luxo.

O mercado de óculos expandiu entre 3% e 5%, atingindo €17 bilhões, impulsionado por designs inovadores e pela migração dos consumidores para faixas de preço mais altas. Marcas especializadas atenderam nichos específicos, consolidando novas tendências de consumo.

O futuro do mercado de luxo: reinvenção e personalização

Com um cenário mais competitivo e desafiador, apenas um terço das marcas de luxo registrou crescimento em 2024, um número significativamente menor do que os 95% observados entre 2021 e 2022 e os 65% em 2023. Para enfrentar essa nova realidade, as empresas precisam reforçar sua identidade, investir em experiências personalizadas e adotar novas tecnologias para otimizar operações e atrair consumidores.